sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Festa das Águas



Comunidade liderada por Pai Manoel Xoroquê


ALODÊ, ODO YÁ, ODÔFIABA” ; “ORA YÊ YÊU”! Foram as saudações ouvidas por mim e muitas outras pessoas que foram prestigiar a Festa das Águas promovida pelas comunidades afro-religiosas alagoanas no último dia 8 de Dezembro na praia de Pajuçara. Pude sentir o quanto ainda é forte a tradição yorubá em nossas terras alagoanas. Apesar da resistência e da intolerância religiosa os adeptos do candomblé não se intimidam nem retrocedem, pelo contrário, a cada dia tem mais pessoas na luta contra o preconceito e a discriminação religiosa, gente que veste a camisa da fé afro e sai em marcha para dizer que também é cidadão e também tem direitos e entre esses direitos o de expressar a sua fé.


A festa teve início às 7:00 horas quando começava chegar algumas comunidades para dá início ao ritual do Toque de Santo e em seguida prosseguir com a entrega das oferendas em pleno mar. A programação estava marcada para ir até as 18:00 horas encerrando com o show da cantora popular Lecy Brandão. Alguns grupos culturais da cidade fizeram apresentações e puderam demonstrar mais uma vez toda força e ancestralidade das raízes africanas em nossas terras. Eu fiquei maravilhada com o Afoxé da comunidade afro-religiosa comandada por Pai Célio em Ponta da terra, me emocionei muito mesmo, sem falar na energia que irradiava o lugar, foi tudo muito bonito! Pude confirmar a força de zumbi presente na manifestação do grupo de capoeira e do maculelê. 






Ainda bem que em nossa terra o candomblé ainda pode se manifestar de maneira autêntica e cheia de força, pois segundo a cantora Lecy, no Rio de Janeiro não está sendo mais assim, a cantora disse que as passagens de ano novo lá no Rio eram realizadas com comunidades afro-religiosas na praia agradecendo a Iemanjá as dádivas do ano que estava terminando e pedindo ainda bênçãos para o ano que começava, “agora não é mais assim”, disse ela, “agora é aquela coisa que vocês vêem na televisão e só”, prosseguiu dizendo, depois, cantou uma linda canção para Rainha do mar.

Este ano a secretaria de defesa da mulher esteve apoiando a manifestação junto com a secretaria de cultura, mas o que mudou e  que representou uma certa afronta para as comunidades foi a determinação da prefeitura de delimitar onde poderia começar e terminar as manifestações na praia. Muitas pessoas não concordaram com esta decisão alegando o direito de ir e vir principalmente em locais públicos e diziam ser mais uma vez vítima da discriminação religiosa. Por esta razão, algumas estátuas que se vestiam com indumentárias afro representando assim os membros das comunidades afro-religiosas estavam com suas bocas tapadas por uma fita adesiva para demonstrar toda indignação sentida pela discriminação do negro e pela intolerância religiosa vivenciada diariamente por estas pessoas.

É uma afronta mesmo determinar como uma pessoa deve crer, para não dizer que é uma violência ao ser e a própria espiritualidade. O preconceito, a discriminação e a intolerância são frutos da ignorância das massas que se quer conhecem suas raízes. Vou contar uma coisa, sou filha adotiva de um pai mulato e de uma mãe negra, meu pai é nativo da terra de Zumbi mas infelizmente algumas de suas falas reproduzem o preconceito religioso e racial. Ele é um bom homem, um bom esposo e um ótimo pai de família, mas não aceita com naturalidade suas raízes, ele reproduz o que passou a infância toda escutando que “negro é coisa que não presta”, vê se pode!! Eu sempre discuto com meus pais sobre esses temas, mas não vou expor aqui os avanços que tenho obtido em nossas conversas, isso fica pra um outro post tá?! Eu decidi fazer esse comentário, só pra afirmar que o preconceito é real e que é fruto da ignorância mesmo, da falta de conhecimento da própria história. Oh, meu Deus, oxalá que todos os educadores do nosso Brasil se comprometessem de verdade com a LEI Nº. 10.639/03 que determina o ensino da cultura afro e da cultua afro-brasileira nas escolas (muito embora, um número significantes de colegas precisam deixar o censo comum e estudar e conhecer sobre a religião de matriz africana para então se comprometer com a lei e efetivar a mesma), as pessoas só precisam conhecer suas raízes não há como negar nossas raízes nem nossa história.

Em virtude dessa constante intolerância os organizadores do show decidiram que após a apresentação da cantora Lecy, sairiam junto com o público presente em marcha pelas ruas para protestar contra essa falta de respeito. Eu percebi que nem todo mundo que estava presente resolveu ir, e o número ficou resumido, eu quase fiquei frustrada quando percebi, mas é aquela coisa de alguns brasileiros que querem ter seu direito garantido mas não querem ir pra luta, até quando será que nós ficaremos apenas olhando o nosso direito ser negado? Zumbi fez tanto por nós, deixou um exemplo tão grandioso de força e coragem e o que nós estamos fazendo com isso? Bom fica a questão para que possamos pensar em nossas ações diárias. Mas, apesar dessas situações, o bom mesmo foi poder ver quanta gente em nossa terra que se assume enquanto candomblecista e não tem medo nem vergonha de ser o que é, as pessoas aparentavam estarem muito felizes e bem dispostas para mostrar publicamente uma fé tão cheia de beleza e rica de significados e de história. Os barcos prosseguiam em marcha rumo ao alto mar para depositar as oferendas a Mãe das águas salgadas e a Mãe das águas doces, alguns receberam seus orixás em plena areia da praia reafirmando a força e a magia do candomblé.



A FÉ E A QUESTÃO AMBIENTAL

Depois da Festa das Águas, quando cheguei em casa e fui descarregar da máquina para o computador as fotos que tinha feito da festa, algo me chamou a atenção tão fortemente que comentei com Marcone, meu companheiro. As pessoas estavam depositando nas águas do mar plásticos, vidros, papel entre outros objetos. Nossa! eu ainda não havia pensado no quanto isso é nocivo para vida no mar. Vi recentemente uma reportagem de uma tartaruga marinha que depois de morta os biólogos encontraram em seu interior um pedaço de sacola plástica que a tartaruga deve ter comido provavelmente por achar que seria algum tipo de alga, outra vez vi também em um telejornal uma tartaruga marinha atrofiada, ela havia entrado dentro de um anel de plástico, desses que vedam as tampas de alguns produtos envasados que compramos. O anel havia se alojado no meio do seu corpo provocando uma falsa cintura no animal, o casco da pequena tartaruga já tinha uma fenda que era a marca do tal anel de plástico que comprimia o corpo do animal e amassava seus órgãos internos. Gente, quando eu vi essa matéria eu decidi que iria ter mais responsabilidade com o meio ambiente, pois não é justo outros seres vivos padecerem por conta da minha falta de responsabilidade e de higiene. Tem muito lixo no mar, e o pior é que nós o estamos deixando cada vez mais nocivo para seus habitantes. E nós não temos esse direito!

Pode ser que as comunidades afro-religiosas aqui de Alagoas ainda não tenham atentado para este fato tão importante, pois esta situação não afeta ninguém diretamente, de maneira que não dá pra sentir na pele (ainda) o impacto ambiental causado pelos objetos lançados ao mar como oferta para Iemanjá.
O que está acontecendo é que nós que acreditamos nas forças da natureza que são os Orixás como emanações Divina, não estamos respeitando os limites nem a vida que a própria Mãe natureza proporciona. Peço permissão para dizer que eu não acredito que Iemanjá queira uma devoção irresponsável e nenhum outro Orixá também. As águas de Mãe Iemanjá devem permanecer sadias e próprias para o sustento e permanência da vida dos seres que habitam nela favorecendo a harmonia no ciclo da natureza e a vida do próprio homem. Não quero dizer com isso que as oferendas não devam ser realizadas, entendo que a oferenda é um importante elemento para materialização da fé, mas com toda humildade que me é emprestada por Pai Oxalá, gostaria de sugerir que as oferendas fossem realizadas de maneira mais consciente e sustentável possível. Se amamos o Orixá também amamos a natureza e toda força e axé que dela provém, por isso é de nossa inteira responsabilidade manter o equilíbrio natural das coisas, fazer o possível para não quebrá-lo.
Não é só fazer a oferenda para o Orixá, é preciso ir um pouco mais além, é necessário o respeitar de maneira reverente, procurando conhecer o que de verdade o agride e oprime. É um paradoxo  ser filho de Iemanjá e não respeitar suas águas...
Não quero contudo, que meus irmãos e irmãs, principalmente os já anciãos na fé, sintam-se afrontados por mim, mas entendam que é o zelo pela vida que me consome.
No caminho espiritual e na existência como um todo, penso que nos tornamos mais fortes e mais firmes quando entendemos, absorvemos e respeitamos certos parâmetros da Mãe Natureza.  Axé!  

sábado, 5 de novembro de 2011

Tenho andado tão ocupada com a loucura do fim do curso que não tem sobrado muito tempo pra estar aqui no blog. Mas graças que está acabando! Estou trabalhando em meu TCC e não posso me distrair.  O curso tá terminando e que bom que tenho a certeza de ter escolhido a profissão certa. Amo meu ofício e quero sempre dar o melhor. Ser professora é muito mais que um emprego pra mim, é assumir um compromisso social, é ser parceira na luta contra desigualdade e principalmente é acreditar que através da educação de qualidade construímos o homem do futuro, o cidadão honesto, pacato e comprometido com o meio que o cerca.


Eu com meus alunos do 1º período na II mostra sobre a diversidade étnico-racial  
SEMED - 2010

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Doses Vitais de paixão

"Foi tão bom o momento caloroso em que vivenciei literalmente essa latejante paixão. Os momentos de riscos que corri eram recompensados com o encontro sempre surpreendente, repleto de beijos, carícias, suspiros e muito suor. Como é bom estar apaixonada, e viver intensamente. Essa paixão deu-me asas pra voar, me fez descobrir que sou uma mulher corajosa, decidida e adorável. Eu pude abrir os braços e me sentir plena, vigorosa e viva. Cada dia que passava era uma eternidade longe dele. Minha maneira de olhar o mundo mudou, ficou mais alva, mais calma, mais criativa, compreensiva. Tudo se transformou no mais perfeito mar de perfumadas rosas vermelhas e vibrantes. E nada, em absoluto, poderia me tirar daquela prazerosa e satisfatória situação. Vivi uma história linda, com uma pessoa muito especial. Todo o lugar que eu ia junto com ele passava ter uma atmosfera radiante, onde tudo pulsava amor, luz e harmonia. Eu me transformei na mulher mais bonita do mundo porque estava completamente apaixonada. A alegria fez morada em mim. Meu rosto sempre tinha um brilho natural em sua pele, meus lábios sempre estavam rosados em nossos encontros, e eu raramente usava batom, não tinha essa necessidade. Ah, e o que dizer de meus olhos? Sempre lânguidos e brilhantes, ele nunca, jamais, dizia-me “não”, depois de olhar em meus olhos. Perto dele eu me sentia uma princesa, e a leveza de gestos e a ternura enxertaram-se em mim. Era radiante sentir-me protegida e amada. Nada poderia fazer-me voltar atrás. Nem as ameaças de meu ex-marido, nem os conselhos de minha mãe, muito menos a revolta de sua ex-mulher ou ódio da mãe dele por mim. Nada disso podia fazer com que eu me movesse para longe dele e sequer a remota possibilidade de abandoná-lo passava em minha cabeça. Nada, eu estava completamente decidida a viver essa maravilhosa história com ou sem ajuda de quem quer que fosse, ignorando toda e qualquer possível intempérie da vida. "
                                                                        (Extraído)




A paixão nos move, nos faz crescer, nos faz mudar, assumir posturas, tomar decisões, criar ou enfrentar determinadas situações.
Ficamos tão crédulos no amor, tão idealistas, tão otimistas. Tudo, tudo mesmo pode dar certo quando pensamos com um coração apaixonado. Ela, a paixão, torna-se a força propulsora das grandes conquistas, das surpreendentes descobertas e da concretização dos trabalhos magníficos. Só um coração apaixonado pode enfrentar uma multidão de pensamentos contrários, uma avalanche de comentários maus ou duvidosos, a falta de crédito, a doença e talvez  até a morte. Nunca diga que não consegue, que não pode, que não é capaz. Não antes de se apaixonar por algo ou por alguém. Você jamais viverá literalmente senão tiver passado pelo fogo da paixão, provado de seu cálice e se embriagado com seu perfume. A paixão nos faz sonhar e acreditar no sonho, ela nos transporta ao universo das infinitas possibilidades onde até o impossível pode acontecer, por que se acredita, se espera, e crê. Posso até dizer que há na paixão uma medida do “ser divino”, pois só uma pessoa realmente apaixonada se entrega sem esperar nada em troca, sem querer levar alguma vantagem e só uma pessoa apaixonada vai pra um determinado sacrifício, como o fez o “Cristo”. Foi a paixão de Cristo que o fez um homem de fé em seu Deus e pai, e foi essa paixão que o moveu para o seu sacrifício. A verdadeira fé só pode estar num coração apaixonado, que almeja diariamente uma relação de intimidade com o ser divino e em nome disso se entrega sem reservas.





Imagem:
                                                              http://amecristo.com/2011/04/06/a-cruz-de-cristo-j-c-ryle/



Se apaixonar de novo, é uma das medidas, que certos casais em desgaste, resolvem tomar para continuar um relacionamento. É preciso reacender a chama inicial, redescobrirem a razão de estar juntos, reviver momentos, situações, lembrar de casos acontecidos nos tempos em que estavam apaixonados, dizer frases apaixonadas um para o outro, promover encontros apaixonantes, noites, dias e até semanas. Só a paixão entre os cônjuges pode salvar um lar sentimentalmente falido. O amor é primordial mas ele não pode matar a paixão, ele precisa vivificá-la a cada dia. O amor respeita, perdoa e confia. Ele existe de maneira independente por si só. O amor não precisa de artifícios para ser legitimado. Não. Ele é, e sempre será auto-suficiente em sua essência. Mas o fato de sempre perdoar, compreender e confiar, às vezes faz dele um bonachão além de muito previsível. A sorte do amor é que ele anda lado a lado com a justiça, só assim ele acaba não sendo insensato. Por serem um pouco diferentes, depois de um período de tempo, quando o amor chega em uma relação, a tendência é a paixão ir embora e dá lugar a rotina, aí fica até parecendo que amar é uma coisa chata e cansativa. Mas isso não é verdade. A verdade é que muitos de nós ficamos relaxados e um pouco preguiçosos depois que temos a certeza absoluta, que enfim, conseguimos para sempre, a pessoa pela qual nos apaixonamos (que ledo engano, rsrs), daí pensamos que não é mais necessário aqueles mimos diário da paixão nem o seu fogo ardente. Mas é a paixão que torna o amor mais atraente e sempre renovado. As pessoas não gostam sempre da mesma coisa, elas querem sempre a novidade (principalmente nós ocidentais), o diferente, o exclusivo, o empolgante, o mais estimulante. A paixão faz isso com o amor, o torna sempre atraente e desejável. O faz  sempre surpreendente. Em contrapartida, a paixão tem prazo de validade,uns dezoito meses para ser mais exata. É o tempo suficiente para o amor chegar. Porém se ele não vir ela não subsistirá, aí criamos um leque de motivos e razões para não estar afetivamente ligados a pessoa pela qual nos apaixonamos. Mas o fato é que a paixão acabou.


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                                    http://todascoisasdegarotas.blogspot.com/2010/09/terminou.html



É meio complexo mesmo, mas o que estou tentando dizer é que num relacionamento afetivo o amor pode até existir mas sem a paixão ele torna-se menos excitante e menos atraente, nos fazendo desistir por não sentirmos a emoção que precisamos, e a paixão depois de seu prazo de validade expirado ela não sobreviverá sem o amor que por ser paciente, sempre espera ela ser renovada ou encontrada quando os casais a perdem. Aqui no ocidente, damos vazão para a paixão chegar primeiro, mas até entendermos a problemática que a envolve juntamente com o amor em nossa cultura tão ampla e mista, também de oportunidades várias, seu prazo de vida já terá expirado. Isso é, se não decidirmos em meio as circunstancias viver uma outra paixão mais avassaladora e menos complexa.
E assim segue a vida e seus mistérios, como um barquinho no oceano, esperando o próximo corajoso ou corajosa que se habilita a pular dentro dele para viver as aventuras de um relacionamento a dois. 
É bem melhor que ficar com medo, nadando no oceano da existência.


imagem:


Beijos a todos!!


sábado, 3 de setembro de 2011

A verdade folclórica das minhas manchas nas unhas-(Falta de conhecimento e terror psicológico infantil) - Unhas ajudam a diagnosticar doenças

Tenho preocupado-me mais com minha saúde ultimamente, algo bem natural depois de ter passado por uma ofarectomia (cirurgia para retirada de ovário) recentemente né? Pois bem, gosto muito de tratar de minhas unhas e sempre que posso estou na manicure para cuidar delas fazendo as unhas das mãos e dos pés. O fato é que desde que me entendo por gente, observo em minhas unhas das mãos, umas manchas horizontais brancas e finas que já me acompanham desde há um bom tempo. Quando eu era criança, alguns adultos diziam que aquelas manchas apareciam nas unhas de pessoas que mentiam muito, então eu fiquei morrendo de vergonha, e achava que se parasse de mentir um pouco as manchas sumiriam e ninguém mais iria perceber que eu havia mentido (na realidade, hoje eu nem considero mentira aquelas bobagens infantis que eu fazia comparando hoje em dia com o conceito real de mentira)e eu poderia então exibir minhas mãos à vontade, pois eu já estava criando um certo receio em ter que mostrar as mãos, e olha que não querer mostrar as mãos pra minha mãe era sinal de problema (pra mim né, claro!), ela pensava que minha mão estava suja e eu não queria lavar, ou que eu estava escondendo alguma coisa ou então que tinha feito alguma arte, quando na realidade eram aquelas manchas brancas chatas que me incomodavam. O problema com as manchas não ficou só na infância não, essas manchas realmente me acompanham até hoje, mas por mais que eu perguntasse as pessoas da minha casa sobre o porquê daquilo, as pessoas só tinham uma coisa pra me dizer e agora você já sabe o que é: que eu era uma “verdadeira mentirosa”, mas eu realmente não me conformava com aquilo, eu nem mentia tanto. Que raiva que me dava naquela época! Na adolescência, eu já podia usar esmalte ai dava pra disfarçar bem, eu lembro que ficava super-estressada quando não tinha esmalte para cobrir aquelas manchas que, infelizmente, só eu tinha em meu grupo de colegas. Um dia, quando meu esmalte havia acabado eu tomei uma atitude drástica, tamanho o horror que eu tinha das tais manchas, usei tinta óleo preta em todas as unhas das mãos só para cobrir o problema.
Bem o tempo passou, mas o meu dilema continuava, porém eu estava disposta a colocar a vergonha de lado e perguntar a minha ginecologista o porquê daquelas manchas. A partir daquele dia, todo terror criado em minha mente com a verdade folclórica das manchas que nasciam em minhas unhas, caíram por terra e deram espaço a pesquisa e cuidados com a saúde. As tais manchas ainda aparecem em minhas unhas, tem período que elas estão em maior quantidade e em outros períodos até somem, o importante é que aprendia lidar com o problema e acho que divulgar o assunto aqui pode ajudar muita gente também, além, é claro, de entender que alterações nas unhas podem indicar alguma doença ou falta de alguma vitamina ou proteína em nosso corpo. Segue abaixo informações sobre o assunto com dicas e a fonte onde pesquisei.


POR PRISCILA RODRIGUES FOTOS FERNANDO GARDINALI

Entre as crendices populares brasileiras, uma das mais famosas diz respeito ao aspecto das unhas. Há quem acredite que as manchinhas, que surgem de uma hora para outra, significam a chegada de boas-novas. Em certas regiões do país, o povo garante que elas aparecem na mesma proporção das mentiras que contamos. Coincidências e lendas à parte, o fato é que essas marquinhas querem nos avisar de algo muito mais importante: que precisamos ouvir rapidamente a opinião de um dermatologista, para ver o que há de errado em nosso organismo.
Não é à toa que muitos médicos pedem para ver as mãos dos pacientes durante o exame clínico. “Qualquer alteração patológica nas unhas deve ser observada com rigor, pois sinalizam desde falta de nutrientes, estresse e micoses até problemas mais sérios, como cirrose hepática, insuficiência renal e endocardite (a inflamação do revestimento interior do coração, geralmente provocada por bactérias)”, garante o dermatologista Guilherme de Almeida, de São Paulo. Sua colega de profissão, a médica paulistana Aurea Lopes, concorda e aponta como outras causas males como dermatite de contato, lupus eritematoso (doença crônica que causa inflamações em várias partes do corpo) e até mesmo problemas circulatórios periféricos, cardiológicos e intestinais.
VOCÊ SABIA? ELAS CRESCEM, EM MÉDIA, TRÊS MILÍMETROS POR MÊS. AS UNHAS DAS MÃOS TÊM UM CRESCIMENTO APROXIMADAMENTE QUATRO VEZES MAIS RÁPIDO DO QUE AS DOS PÉS
Na maior parte das vezes, as manchinhas esbranquiçadas e pequenas são resultado de batidas leves que provocam pequenos traumas na matriz ungueal (local onde as células de queratina que formam a unha são produzidas). Assim como aquelas linhas finas e verticais (faixas hemorrágicas) decorrentes do rompimento de vasinhos minúsculos, essas marcas somem sozinhas e nem sempre são motivo de preocupação.
Porém, se elas tomam quase toda extensão da unha e não desaparecem, vale a pena consultar um médico especialista. A presença desses sinais pode indicar inúmeros problemas de saúde, possíveis ameaças ao bom funcionamento do organismo e até o uso de determinados medicamentos. Os remédios quimioterápicos e alguns antibióticos usados para tratar infecções bacterianas, por exemplo, impulsionam a manifestação de manchinhas nas unhas.



O QUE AS MÃOS REVELAM SOBRE A SAÚDE
Fique atento às mudanças na coloração, forma e textura das suas unhas:
Manchas esbranquiçadas:
Anemia, carência de zinco e proteínas, dermatites de contato (alergias a esmaltes, sabões, detergentes...), psoríase, micoses, intoxicação por metais pesados, insuficiência renal
Manchas amarelas ou unhas amareladas:
Freqüentes em fumantes, também indicam uso crônico de antibióticos, ingestão em excesso de betacaroteno (precursor da vitamina A, encontrado em cenoura, beterraba, mamão...), diabetes, micoses e males do fígado
Arroxeadas:
Micoses, tumores, uso de remédios coagulantes, males cardíacos, lupus eritematoso
Esverdeadas ou com inchaços, vermelhidão e dor que se expande ao redor dos dedos:
Infecções bacterianas e micoses
Metade branca, metade avermelhada:
Problemas renais
Faixas negras:
Disfunções hormonais, micoses, tumores na matriz ungueal, câncer de pele (melanoma)
Fracas, secas, quebradiças, com tendência à descamação:
Falta de cálcio, além de zinco e vitaminas A, B e E, nutrientes que constituem a unha. Anemia, hipotireoidismo
Amarelada, espessa e sem crescimento:
Distúrbios pulmonares
Ondulações, que, no caso das mulheres, ficam aparentes mesmo com duas camadas de esmalte:
Geralmente indicam traumas (a espátula de empurrar cutícula é usada com força). E ainda: anemia e doença cardíaca ou pulmonar



Como fazer o auto-exame
Para a médica Marcelle Miranda, especialista em estética do Rio de Janeiro, observar alterações na coloração é o primeiro passo para um autodiagnóstico inicial. Por exemplo, se o leito (a pele que fica logo abaixo da lâmina, que é a parte mais visível da unha) estiver arroxeado, é preciso vigília dobrada. A cor escura demonstra que o sangue não está circulando direito nas mãos e pode indicar possíveis disfunções cardíacas. Além da mudança na cor, é preciso ficar atento à forma e textura das unhas. As temidas micoses (infecções por fungos) se manifestam pelo aumento da espessura da unha, descolamento ou alteração da cor. Quando a causa é orgânica, a infecção surge nas mãos e nos pés. Se não tratadas a tempo, com remédios orais ou tópicos, leva à perda da unha — que demora mais de seis meses para crescer. Quanto às unhas com ondulações, vale um alerta. Segundo artigo de Robert Baran, criador do primeiro centro de diagnóstico e tratamento das doenças das unhas, publicado na revista Scientific American Brasil, as convexas e sem brilho são típicas de portadores de doença cardíaca ou pulmonar crônica. E as unhas côncavas, especialmente em crianças, podem indicar um possível déficit de ferro no organimso.

ESTIMA-SE QUE, POR ANSIEDADE E NERVOSISMO, 1/3 DA POPULAÇÃO TENHA O 
MAU HÁBITO DE ROER AS UNHAS

O QUE VOCÊ DEVE E NÃO DEVE FAZER
Levar o próprio kit de manicure ao salão de beleza.

SIM, principalmente para evitar micoses. “O fungo pode passar de uma unha para outra por meio da lixa ou de material não esterilizado”, afirma a dermatologista Juliana Neiva.



Recorrer a esmaltes e produtos especiais para fortalecer as unhas.
DEPENDE. 
Se o problema for passageiro, fruto de uso de medicamentos ou de baixa resistência, há possibilidade de melhora. Mas é importante identificar no rótulo a presença de formol e baixa concentração de vitamina E. Outra medida válida é manter as unhas hidratadas com cremes à base de uréia e lactato de amônia. No entanto, se o enfraquecimento estiver relacionado a problemas de saúde ou se a pessoa viver em dietas muito restritivas, só um médico tem condições de recomendar o tratamento correto.

Usar luvas para lavar louça e prevenir alergias nas mãos.
SIM.
 Os detergentes costumam conter substâncias nocivas para a cutícula de pessoas predispostas a dermatites de contato. As luvas são uma boa forma de proteção.


Preservar sempre a cutícula. 
EXATO.
 Segundo o dermatologista Guilherme de Almeida, ela serve para proteger a matriz da unha e impedir o surgimento de infecções ou micoses. As cutículas devem ser empurradas e nunca cortadas com tesoura ou alicate. Removedores especiais são uma alternativa.


Passar esmalte vermelho para fortalecer a unha. 
PURO MITO.
 Acredita-se que, ao pintar as unhas com essa cor, as mulheres ficam mais cuidadosas e o esmalte dura mais. Daí a lenda.

Lixar a unha no formato quadrado. 
SEM DÚVIDA
, porque aparar os cantos favorece infecções e facilita o encravamento. As unhas crescem 0,1 milímetros por dia, em média, e devem ser lixadas uma vez por semana. A dermatologista Marcelle Miranda sugere adotar as lixas simples, de algodão, no lugar das metálicas, que estragam as pontas. Outro toque: “Evite lixar a parte de cima da unha. Isso destrói a queratina”, orienta a médica.

Evitar o uso constante de esmalte.
ISSO MESMO.
 A dermatologista Marcelle Miranda, do Rio de Janeiro, recomenda deixar as unhas “respirarem” de vez em quando. “Uma dica é retirar o esmalte um dia antes de fazêlas”, conta. Para evitar alergias indesejáveis, que comprometem a saúde da cutícula, é bom fugir de esmaltes e produtos à base de tolueno e formaldeído.


Usar modelos postiços para evitar roer as unhas.
BOA IDÉIA
, apenas se os cuidados com a higiene forem redobrados. “Por causa da umidade, há maior propensão à proliferação de fungos. Portanto, a manutenção e a secagem adequadas são cuidados essenciais”, sentencia Marcelle Miranda. O melhor seria parar de roer as unhas. O mau hábito favorece o transporte de microrganismos da unha até a boca. Também pode desgastar o esmalte dos dentes e facilitar o aparecimento de cáries. Até habilidades como escrever, digitar, tocar instrumentos e dirigir são reduzidas quando o roedor compulsivo promove danos às unhas e à pele ao redor.

NOSSAS GARRAS EM PEDACINHOS

A unha é composta por células de queratina, uma proteína dura e impermeável encontrada também nos fios de cabelo e, com uma textura mais mole, nas camadas superficiais da pele. A parte visível é a lâmina, margeada por um tecido (a famosa cutícula). Logo abaixo fica o leito, uma espécie de pele que sustenta a raiz da unha e a lâmina. As dobras nas pontas dos dedos dão sustentação e forma a cada unha e recebem o nome de pregas. A matriz ungueal, escondida sob a cutícula, é o local onde as células queratinosas se proliferam e asseguram o crescimento da unha. Aquela meia-lua branca na base chamase lúnula, um reflexo parcial da queratinização das células nessa região. A parte visível da unha (a lâmina) é formada por células mortas — por isso, não sentimos dor quando a cortamos. Agora, se por algum motivo a unha é arrancada desde a raiz, dói bastante, pois o impacto acaba atingindo a parte viva, onde as células estão sendo produzidas.

CUIDADOS ALÉM DA MANICURE

Não é só a ida freqüente ao salão de beleza que ajuda a deixar as unhas mais saudáveis. Se a má aparência for somente de origem estética, o uso de hidratantes para as unhas já ajuda bastante, assim como o hábito de sempre lavar as mãos com água fria ou morna para não ressecar a pele. Outra dica é caprichar na alimentação. A nutricionista Vanderli Marchiori (SP) indica grãos integrais e castanhas (ricos em zinco) e ovos e carnes magras (fontes de proteína) para potencializar a formação da queratina. “O ideal é ingerir pelo menos duas porções diárias desses alimentos. E quanto mais frescos, melhor”, destaca Vanderli.



Unhas ajudam a diagnosticar doenças

Por Sacha Silveira


As unhas podem informar mais sobre nossa saúde do que imaginamos. Alterações na coloração e no formato podem auxiliar no diagnóstico de várias doenças. O dermatologista pode identificar desde uma simples carência de vitaminas até doenças graves, como o câncer.

As unhas compreendem cerca de 10% das afecções da pele. O dermatologista analisa toda a unha, verificando as deformações, manchas, depressões, sulcos, pontos coloridos e mudanças de aspecto, explica a especialista em dermatologia Daniela Graff .O diagnóstico das unhas é realizado através do exame visual,com auxílio de uma lupa e com o dermatoscópio ( para avaliação mais profunda da lesão)A Dra.Daniela Graff elaborou uma lista de doenças que podem ter seu diagnóstico facilitado pelo exame das unhas das mãosDoenças do Rim : Unhas Brancas na Metade proximal (perto da cutícula) e a outra metade vermelha na parte distal.Cirrose Hepática: Unhas brancas, com exceção da ponta.(10 unhas das mãos)Doenças do Pulmão : Unhas Amareladas com espessamento e crescimento lento ,com aumento da curvatura.Psoríase: Depressões (furinhos) na lamina ungueal.Anemia ferropriva e traumas repetidos na unha - unha em colherMicose - Unhas Brancas, devido ao fungo.Trauma repetido na matriz da unha Manchas Brancas (-São muito comuns) Hemorragia subungueal- Pequenos traumas na unha podem romper vasos de sangue embaixo da unha e provocar pontos de hemorragia (pontos vermelho escuro). Algumas drogas como a aspirina, também podem causar a hemorragia mas a grande maioria dos casos ,é provocada por traumas.Unhas pálidas - pode ser um indício de anemia.Elevações ou Feridas ao redor da unha - pode ser desde uma verruga até câncer de pele e precisa ser examinado pelo médico.Melanoma- O tipo mais perigoso de câncer de pele. Se a mancha se espalha para a cutícula ou dobras de uma unha procurar ,um médico imediatamente. CUIDADOS COM AS UNHAS- Manter unhas limpas e secas. Impede que cresçam microorganismos sob as unhas.- Unhas grossas e difíceis de cortar: deixe-as imersas em água salgada e sabonete de 5-10 minutos e após aplique creme de uréia a 10%. Limpe-as normalmente.- Cortar as unhas acompanhando a forma do dedo, com uso de tesouras apropriadas .- Não roer as unhas.- Usar lixa fina para deixar a unha sem espículas e lisas.- Unhas encravadas. Evitar manuseá-las, vá ao podólogo ou dermatologista (se estiverem infectadas ou doloridas)- Usar luvas para lavar louça e usar produtos de limpeza.- Evitar traumas (principalmente na manicure),contato com ambientes úmidos e substancias químicas.

Espero ter ajudado. Se alguém tiver mais informações sobre o assunto envie-me. beijos !!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O lado bom de ficar de "molho"

Estou melhorando a cada dia, ainda bem! Hoje sentei-me numa cadeira na varanda em frente  meu quarto para escrever aqui. Sabe, o sentimento de fragilidade humana não tá mais tão a flor da pele, já encontrou um lugar para se acomodar dentro de mim.Agora, eu começo a sentir algo novo, é como se eu tivesse nascendo de novo entende? eu me sinto renascendo, interiormente, e até exteriormente em algumas parte de mim. Minha pele começou a descamar, talvez o fato de estar sempre deitada, sem receber luz do sol, uma alimentação totalmente diferente que a de costume, muita água ( coisa mais difícil pra mim era lembrar de beber água durante o dia, as vezes passava o dia todo trabalhando e só tomava um copinho de água no final do expediente, pode?)e talvez até a medicação, possa ter contribuído para essa renovação celular (rsrsrsrsrsrs). Brincadeiras à parte , o fato é que sinto renovando-me, eu li em meu mapa astral,  minha revolução solar pra este novo ano ( segundo estas informações o ano novo de cada pessoa começa a cada data do seu aniversário) realmente seria um cuidado maior com a saúde e com a espiritualidade para então cuidar de finanças, trabalho, amor, relacionamentos etc. Ou seja, uma faxina geral, uma arrumação radical na maneira de viver e realmente tem sido assim. Por incrível que pareça, esses dias de "molho" tem sido bom pra mim, é verdade. Eu pude parar para me ver. Sabe, me avaliar, pensar e repensar coisas, situações, e decisões (particularmente eu sou péssima para tomar decisões, sempre as evito) que realmente precisam ser tomadas.Nem tudo é um problema na vida da gente, mas só se a gente quiser que não seja mesmo. Eu aprendi nesses quinze dias de "molho"que nosso corpo fala, ele manda mensagens pra gente e muitas vezes a gente não percebe e muitos males que nos assolam poderiam ser evitados se prestássemos mais atenção nesses pequenos detalhes.....bom eu vou parar, por que faltou energia no meu not e também tá faltando energia na rede que abastece a rua da casa em que eu moro.    








Continuação 



Bem, como eu tava falando, o nosso corpo fala, ele nos manda sinais que ignoramos na maioria das vezes. A verdade é que estamos sempre ocupados, com o trabalho, com a casa, pensando como os filhos estão indo na escola ( para aqueles que os tem), com qual roupa iremos a festa do próximo fim de semana, como parecer sempre jovens e qual o cosmético ideal para usarmos para esta estrias ou para região dos olhos. A gente encontra tempo pra gastar com as coisas mais desnecessárias possíveis ( eu considero importante os cuidados com a aparência, mas é certo que muitas vezes muitos de nós exageramos.É isso que quero dizer), e nunca encontramos um tempinho somente para nos observar, ficar a sós conosco mesmos, é tão difícil fazer isso. Então a natureza decide encontrar um jeito de nos fazer parar. É verdade, a natureza toma as rédeas da situação de nossas vidas para que não nos boicotemos. A correria e o stresse do dia a dia termina por fazer com que nós internalizemos muitas situações e emoções negativas, que acumuladas, podem transformar-se em patologias( não digo que esse foi o meu caso) e a gente termina ficando doente por não estabelecer as reais prioridades para nossa existência. Ficar de "molho" é o tempo estabelecido pela natureza para nos conhecermos,conversarmos e nos apaixonarmos por nós mesmos. Sabe, eu agora percebo o que Bhagwan Shree Rajneesh quis dizer quando escreveu em seu livro A arte de morrer quando disse que : " ...a chave secreta para existência humana é o equilíbrio." 
As pessoas querem cada vez mais as coisas, sem medida, sem equilíbrio algum. Vou contar um caso que ouvi de uma preletora numa palestra sobre Literatura Infantil, uma senhora bem distinta e inteligente, escritora e religiosa(mas não fanática), ela falava que conheceu uma moça que trabalhava os três horários, e nos fins de semana ainda arrumava alguma atividade remunerada para fazer, certo dia esta senhora foi a casas dessa moça mas não a encontrou, era realmente muito difícil encontrá-la em casa em algum horário. Posteriormente a duas encontraram-se e a moça queixava-se de cansaço e de stress constante, foi quando a senhora perguntou-lhe por que ela trabalhava tanto, e ela respondeu que precisava comprar coisas, então a senhora perguntou pra que serviam tais coisas pelas quais ela se matava tanto de trabalhar, ela então respondeu que eram coisas para sua casa, pois ela gostava de deixar sua casa sempre arrumada para as visitas que pudessem chegar. A senhora então fez mais uma pergunta para a moça: Me diga, pra que uma casa tão mobiliada se você nunca tem tempo pra desfrutar daquilo nem com os parentes nem com as possíveis visitas que chegariam? Ela então baixou a cabeça e começou a refletir sobre aquela verdade. Muitos de nós estamos como aquela moça, juntando coisas em nossas casas, comprando, comprando, e comprando, depositando em nossas casas e em nossas vidas coisas que podem até ser importantes mais que podem estar tomando o espaço das coisas que são realmente necessárias. Que bom que a moça não precisou ficar de "molho" para refletir sobre sua vida ( eu acho), eu tive que ficar, mas como disse, isso tem um lado bom como já mencionei posteriormente. Tudo na vida precisa de equilíbrio ( volto agora com Bhagwan), se não iremos morrer "atolados" em nós mesmos e em nossos dilemas sumariamente infantis. Que pena que essa verdade é só minha agora,sim é só minha porque a estou literalmente vivenciando. Você poderá ler essas linhas e até se encontrar em algumas delas ou quem sabe em todo texto, mas o que fará depois disso? Seria mesmo muito bom que você, assim como eu, não precisasse ficar de "molho" para entender o que a natureza fala-nos diariamente. Mas como disse o amigo Bhagwan: Há coisa que não podem ser ensinadas...
Beijos a todos e muito axé!





quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Momento Fernando Pessoa


Textos de Fernando Pessoa








AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.



MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.




O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Fernando Pessoa
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...

É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos...
Fernando Pessoa
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Fernando Pessoa
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Fernando Pessoa
Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.
Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais.
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".
Fernando Pessoa
Dever de Sonhar

Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa
Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa
Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é nós mesmos- que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma idéia nossa.(...)
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois 'amo-te' ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada uma quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constiui a atividade da alma. (...)
Fernando Pessoa

Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci...

Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante...
Eras o Universo...
Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.

Estavas-me longe na alma,
Por isso eu não te via...
Presença em mim tão calma,
Que eu a não sentia.
Só quando meu ser te perdeu
Vi que não eras eu.

Não sei o que eras. Creio
Que o meu modo de olhar,
Meu sentir meu anseio
Meu jeito de pensar...
Eras minha alma, fora
Do Lugar e da Hora...

Hoje eu busco-te e choro
Por te poder achar
Não sequer te memoro
Como te tive a amar...
Nem foste um sonho meu...
Porque te choro eu?

Não sei... Perdi-te, e és hoje
Real no [...] real...
Como a hora que foge,
Foges e tudo é igual
A si-próprio e é tão triste
O que vejo que existe.

Em que és [...] fictício,
Em que tempo parado
Foste o (...) cilício
Que quando em fé fechado
Não sentia e hoje sinto
Que acordo e não me minto...

[...] tuas mãos, contudo,
Sinto nas minhas mãos,
Nosso olhar fixo e mudo
Quantos momentos vãos
Pra além de nós viveu
Nem nosso, teu ou meu...

Quantas vezes sentimos
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstrato
Que vai entre alma e alma...
Horas de inquieta calma!

E hoje pergunto em mim
Quem foi que amei, beijei
Com quem perdi o fim
Aos sonhos que sonhei...
Procuro-te e nem vejo
O meu próprio desejo...

Que foi real em nós?
Que houve em nós de sonho?
De que Nós fomos de que voz
O duplo eco risonho
Que unidade tivemos?
O que foi que perdemos?

Nós não sonhamos. Eras
Real e eu era real.
Tuas mãos - tão sinceras...
Meu gesto - tão leal...
Tu e eu lado a lado...
Isto... e isto acabado...

Como houve em nós amor
E deixou de o haver?
Sei que hoje é vaga dor
O que era então prazer...
Mas não sei que passou
Por nós e acordou...

Amamo-nos deveras?
Amamo-nos ainda?
Se penso vejo que eras
A mesma que és... E finda
Tudo o que foi o amor;
Assim quase sem dor.

Sem dor... Um pasmo vago
De ter havido amar...
Quase que me embriago
De mal poder pensar...
O que mudou e onde?
O que é que em nós se esconde?

Talvez sintas como eu
E não saibas senti-o...
Ser é ser nosso véu
Amar é encobri-o,
Hoje que te deixei
É que sei que te amei...

Somos a nossa bruma...
É pra dentro que vemos...
Caem-nos uma a uma
As compreensões que temos
E ficamos no frio
Do Universo vazio...

Que importa? Se o que foi
Entre nós foi amor,
Se por te amar me dói
Já não te amar, e a dor
Tem um íntimo sentido,
Nada será perdido...

E além de nós, no Agora
Que não nos tem por véus
Viveremos a Hora
Virados para Deus
E n'um (...) mudo
Compreenderemos tudo.
Fernando Pessoa
O Amor, Quando Se Revela


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa
Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
.....................................................................
Quando te falo, dói-me que respondas
Ao que te digo e não ao meu amor.
.....................................................................
Ah! não perguntes nada; antes me fala
De tal maneira, que, se eu fora surda,
Te ouvisse todo com o coração.

Se te vejo não sei quem sou: eu amo.
Se me faltas [...]
... Mas tu fazes, amor, por me faltares
Mesmo estando comigo, pois perguntas —
Quando é amar que deves. Se não amas,
Mostra-te indiferente, ou não me queiras,
Mas tu és como nunca ninguém foi,
Pois procuras o amor pra não amar,
E, se me buscas, é como se eu só fosse
Alguém pra te falar de quem tu amas.
.....................................................................
Quando te vi amei-te já muito antes:
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
.....................................................................
E eu soube-o só depois, quando te vi,
E tive para mim melhor sentido,
E o meu passado foi como uma 'strada
Iluminada pela frente, quando
O carro com lanternas vira a curva
Do caminho e já a noite é toda humana.
.....................................................................
Quando eu era pequena, sinto que eu
Amava-te já longe, mas de longe...
.....................................................................
Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta!
— Compreendo-te tanto que não sinto,
Oh coração exterior ao meu!
Fatalidade, filha do destino
E das leis que há no fundo deste mundo!
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto
De o sentir...?
Fernando Pessoa


Fonte:


pt.wikipedia.org

http://pensador.uol.com.br/textos_de_fernando_pessoa/